Num mercado repleto de alternativas de mobilidade urbana, as trotinetes elétricas deixaram de ser um simples capricho para se tornarem uma solução real de transporte pessoal. No entanto, nem todos os modelos conseguem equilibrar adequadamente o preço, a qualidade, o desempenho e a durabilidade. É aqui que entra o KuKirin G2, um modelo que, à primeira vista, parece apenas mais um, mas que ao ser testado revela uma proposta sólida, corajosa e surpreendentemente eficaz.
Com um design robusto, uma potência que ultrapassa as expectativas da sua gama e uma autonomia que desafia modelos muito mais caros, o KuKirin G2 conquistou a atenção merecida. Nesta análise conto-te em detalhe como se comporta este modelo após um teste real, que vantagens oferece face à concorrência, que pontos podem ser melhorados e porque poderá — ou não — ser a trotinete ideal para o teu dia a dia.
Design e construção: aparência urbana com alma off-road
O que mais salta à vista no KuKirin G2 é o seu design. Não tenta ser minimalista nem extremamente leve: pelo contrário, apresenta-se como um veículo robusto, pensado para oferecer segurança, estabilidade e resistência. Isto pode agradar mais ou menos, mas uma coisa é certa: transmite confiança desde o primeiro momento.
O chassis é fabricado em liga de alumínio de grau aeronáutico, o que garante um bom equilíbrio entre peso e resistência. O acabamento mate em preto com detalhes em laranja confere-lhe um aspeto moderno, com um toque agressivo que lhe assenta muito bem. Não parece um brinquedo, e de facto não o é: é uma trotinete com ambições sérias.
Em termos de dimensões, é maior do que a média, o que é positivo para utilizadores adultos. A plataforma onde se apoiam os pés é larga, antiderrapante e ligeiramente elevada, proporcionando uma sensação acrescida de segurança durante a condução. Mesmo em trajetos longos, permite adotar uma posição confortável sem comprometer o controlo.
O sistema de dobragem está bem concebido, é seguro e permite reduzir o volume da trotinete em poucos segundos. Embora não seja das mais leves do mercado (pesa cerca de 25 kg), é perfeitamente transportável caso precises de a colocar num carro ou guardá-la em casa.
Os detalhes também estão bem cuidados: a cablagem está protegida e parcialmente oculta, o guiador tem boa aderência e os punhos são confortáveis ao toque. Em suma, nota-se que não se trata de um produto improvisado, mas sim de um que foi pensado para uma utilização real no dia a dia.


Motor e bateria: potência de sobra para cidade e caminhos
Um dos aspetos mais impressionantes do KuKirin G2 é o seu motor. Com uma potência nominal de 800W (e picos que ultrapassam os 1000W), esta trotinete não só é mais potente do que a maioria da sua gama, como também oferece uma entrega de potência progressiva, sólida e sem sobressaltos.
Este motor permite atingir velocidades até 45 km/h — um verdadeiro exagero para o seu preço e categoria — e pode ser limitado a 25 km/h para cumprir a legislação atual. Evidentemente, em muitos países existem limitações legais para circular a esta velocidade, mas o simples facto de ter essa capacidade já diz muito sobre o seu desempenho.
A aceleração é fluida e surpreendentemente rápida. Desde parado, consegue atingir os 25 km/h em menos de 5 segundos, e fá-lo com confiança. Não há vibrações nem solavancos: simplesmente avança com autoridade. Este comportamento torna-o num modelo ideal não só para deslocações urbanas, mas também para terrenos mais exigentes ou subidas inclinadas.
A bateria, por sua vez, também está à altura. Com uma capacidade de 48V e 15.6Ah (720Wh), promete uma autonomia realista entre 40 e 55 km, dependendo do tipo de condução, peso do utilizador e relevo. Em condições normais — utilizador com 70-80 kg, trajeto misto, velocidade média — os 50 km são alcançáveis sem dificuldade.
Uma vantagem interessante é que a bateria é de carregamento rápido (5-6 horas com o carregador original) e está protegida contra sobreaquecimento, sobrecarga e descargas profundas. Além disso, está posicionada dentro do chassis, o que a protege contra salpicos, impactos e furtos.
Comportamento na cidade e fora de estrada
Se há algo que se destaca após vários dias de uso, é a versatilidade do KuKirin G2. Move-se com agilidade em ambientes urbanos: semáforos, rotundas, ruas com trânsito… tudo é gerido com facilidade graças à sua aceleração precisa e excelente resposta de travagem.
Agora, o mais surpreendente acontece quando se sai do asfalto. Ruas empedradas, caminhos de terra, até trilhos florestais moderados: em todos estes cenários, a trotinete mostra que foi feita para mais do que simples passeios urbanos. Não é uma trotinete de montanha, mas também não se intimida facilmente com buracos ou rampas com gravilha.
Isto deve-se, em grande parte, à combinação de um motor potente, um chassis resistente e, sobretudo, ao seu sistema de suspensão.
Suspensão e conforto de condução
O sistema de suspensão do KuKirin G2 é duplo: uma forquilha dianteira com amortecedores hidráulicos e um braço traseiro com suspensão de mola. Esta combinação proporciona uma absorção de impactos notável, mesmo em terrenos que normalmente sacudiriam o condutor noutros modelos.
Conduzir por uma rua com paralelepípedos ou por um caminho de gravilha já não é sinónimo de desconforto. A plataforma mantém-se estável, não vibra em excesso, e as mãos não ficam fatigadas após meia hora de trajeto.
Graças a esta suspensão, o KuKirin G2 pode ser considerado uma alternativa séria para percursos interurbanos ou até para pequenas aventuras de fim de semana.

Travagem e segurança
A segurança é um aspeto crucial em qualquer veículo de mobilidade pessoal, e o KuKirin G2 não desilude. Está equipado com travões de disco mecânicos duplos, à frente e atrás, o que permite parar a trotinete com rapidez e estabilidade, mesmo a velocidades elevadas.
A alavanca de travão tem um bom tato, não exige demasiada força e responde de imediato. Em condições de chuva ou humidade, continua a oferecer um desempenho bastante aceitável.
Como medida adicional, a trotinete incorpora luz dianteira LED e luz traseira de travão, ambas com intensidade considerável, que melhoram a visibilidade em condições de pouca luz. Não substituem uma iluminação profissional para estrada, mas são mais do que suficientes para zonas urbanas ou caminhos pouco iluminados.
Ecrã LCD e modos de condução
Outro detalhe que acrescenta valor é o ecrã LCD colocado ao centro do guiador. É nítido, retroiluminado e fácil de ler mesmo sob luz solar direta. Nele podemos consultar a velocidade, nível de bateria, distância percorrida, modo ativo e tempo de utilização.
O KuKirin G2 dispõe de três modos de condução:
- Modo 1 (ECO): limitado a 15 km/h, ideal para zonas movimentadas ou para maximizar a autonomia.
- Modo 2 (NORMAL): atinge cerca de 30 km/h, um bom equilíbrio entre velocidade e controlo.
- Modo 3 (SPORT): desbloqueia todo o potencial, alcançando os 45 km/h em condições ideais.
Mudar de modo é simples e permite adaptar a trotinete a diferentes contextos com apenas um clique.
Opinião pessoal após vários dias de utilização
O KuKirin G2 surpreendeu-me pela positiva. Tinha expectativas moderadas, mas conseguiu convencer em praticamente todos os aspetos. Tem potência de sobra, boa autonomia, suspensão real que faz diferença e uma construção sólida que inspira confiança.
Além disso, o seu preço está muito abaixo de modelos com especificações semelhantes. Existem aspetos a melhorar? Sem dúvida, como veremos a seguir. Mas o que já oferece é mais do que suficiente para satisfazer com distinção as necessidades do utilizador médio (e até mais).
Comparação com outros modelos semelhantes
Comparado com rivais diretos como a Xiaomi Electric Scooter 4 Pro ou a Cecotec Bongo Série Z, o KuKirin G2 destaca-se pela sua potência, suspensão e, sobretudo, PELO PREÇO. Nenhum desses modelos oferece uma experiência fora de estrada tão convincente nem uma aceleração tão poderosa.
Mesmo em comparação com modelos como o Dualtron Mini, que custam o dobro, o G2 enfrenta-os com dignidade em muitos aspetos. Claro que não atinge o mesmo nível de acabamentos nem de tecnologia, mas para o utilizador médio que procura uma solução realista, o G2 é provavelmente uma das melhores opções do momento.
Aspetos a melhorar
Nenhum produto é perfeito, e este também não é. Gostaria que:
- Os travões fossem hidráulicos, e não apenas mecânicos.
- O peso total fosse um pouco menor (ainda que justificado pela robustez).
- Incluísse uma app para controlo via smartphone.
- O guarda-lamas traseiro tivesse uma proteção mais eficaz contra salpicos fortes.
Ainda assim, estas falhas não comprometem o excelente desempenho global.
Uma trotinete que não parece do seu preço
O mais surpreendente no KuKirin G2 não é uma característica específica, mas sim o conjunto. Tudo o que oferece — motor, autonomia, suspensão, qualidade dos materiais, ecrã, luzes, etc. — parece pertencer a uma gama bastante superior.
E é aí que está o seu encanto. Não é uma trotinete perfeita, mas é extremamente competitiva e destaca-se da concorrência oferecendo muito mais por menos. Se procuras uma trotinete elétrica para te deslocares diariamente, explorar caminhos ou simplesmente desfrutar da condução, o KuKirin G2 deve estar no topo da tua lista.
Poderá estar interessado em:
O Uso de Trotinetes Elétricas em Lisboa, Porto, Matosinhos, Vila Real e Coimbra: Guia Completo







